O trânsito de Feira anda nos trilhos?
Os números não são oficiais, mas estima-se que em Feira de Santana existam pelo menos 40 mil motocicletas e cerca de 60 mil automóveis. Sem dúvida um número considerável de veículos circulando pelas ruas e avenidas ultrapassadas da cidade.

O resultado de tudo isso é visível e sentido por quem possui um veículo ou mesmo se desloca de ônibus, táxi ou moto-táxi: engarrafamentos, estresse e transtornos.

Claro que não estamos ainda à beira de um caos semelhante ao verificado em São Paulo ou mesmo Salvador, onde as condições de tráfego são as piores possíveis. Na capital paulista, por exemplo, os rodízios através da numeração das placas têm sido a solução temporária, com multas para quem descumpre.

Por força de trabalho ou mesmo em raros momentos de lazer costumo viajar. Modestamente, conheço algumas das principais capitais neste nosso imenso país, como Aracaju e Curitiba. Conheci o sistema de trânsito dessas duas capitais, que é diferente da Bahia.

Em Curitiba existem cerca de 120 quilômetros de ciclovias, que ligam 20 parques e bosques da capital paranaense. Estimativas apontam que na cidade, em que vivem quase 2 milhões de habitantes, existe uma frota de 121 mil bicicletas. Em 1996 o trânsito de Feira de Santana já era uma grande preocupação do então candidato a prefeito pelo PFL, Josué Mello, que tinha propostas para melhorar o problema.

Para o motorista que diariamente trafega pelo centro da cidade, principalmente nos horários de pico, como às 8h, 12h e 18 horas, o tomento das buzinas, a lentidão dos carros e a falta de educação de alguns condutores, motociclistas, ciclistas e pedestres, é um desafio. O tráfego ruim atrapalha o comércio e, também, a qualidade de vida da população.

Em minha visão, o debate sobre como melhorar o trânsito nas principais vias públicas passa por um controle maior do tráfego de carros.

A elevada quantidade de veículos em circulação se deve à preferência dada ao transporte privado. Há falta de qualidade e carência na oferta do transporte coletivo, o que faz com que muitas pessoas prefiram o deslocamento individual, aumentando ainda mais a quantidade de veículos nas ruas e avenidas.

Propostas para diminuir os congestionamentos e tornar mais ágil a locomoção das pessoas não faltam. É preciso viabilizar o tráfego de motos e fiscalizá-las, investir no transporte público, construir corredores de ônibus como os que existem em Curitiba, cumprir as leis de trânsito, dentre outras medidas.

É importante destacar que a discussão passa por uma concepção maior: a ocupação planejada e a transformação das cidades em verdadeiros espaços públicos voltados para o uso coletivo, para beneficiar o cidadão.

Acredito que os viadutos anunciados pela Prefeitura de Feira de Santana vão colaborar para o desafogo do trânsito, mas não são soluções definitivas. É preciso esperar pra ver os efeitos práticos.

É preciso criar alternativas. A abertura da rua Olímpio Vital é um exemplo. Os anos se passaram e foi necessária a criação daquela artéria. Imagine, amigo leitor, se ali ainda estivesse aquela estreita rua, com passagem para um carro apenas? Lembro bem, pois bem ali perto nasceu o que hoje é a HappyClin.

Reflita: de 1996, quando Josué Mello detectava a necessidade de inovações e mudanças no trânsito feirense, até agora, surtiram os efeitos pretendidos? Com seus mais de 600 mil habitantes, mais de cem mil veículos (entre motos e carros) circulando na cidade, Feira de Santana mereceria uma atenção ainda mais no quesito trânsito, sob pena de amargarmos, dentro de alguns anos, um terrível caos. Profissionalização é a palavra. Mas este é um tema importante que voltaremos a abordar posteriormente.

Sérgio Alves Lima
Administrador de Empresas CRA-BA11489
Administrador da HappyClin

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