O
verdadeiro foco
A discussão acerca do reajuste dos salários
dos deputados federais domina o país. A caça
às bruxas aconteceu em todo o Brasil.
Os ocupantes da Câmara reivindicavam remuneração
igual à dos ministros do Supremo Tribunal Federal
(STF) - o melhor contracheque de todo o serviço
público nacional.
Mas o problema está com foco direcionado de forma
equivocada.O salário dos parlamentares aumentaria
de R$ 12.800 para R$ 24.500 por
mês.
Depende apenas deles. Deputados e senadores vão
decidir no voto quanto vão ganhar a partir do
ano que vem. Dos Três Poderes, o Executivo é
o que paga menos aos funcionários mais
importantes. O presidente Luiz Inácio Lula da
Silva recebe por mês R$ 8.800. |
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Fora roupas, as outras despesas (alimentação,
médico, moradia) são bancadas pelo Erário.
O ministro de Estado recebe R$ 8.300, tem casa, carro com
motorista e combustível. Para complementar a renda,
os ministros acabam se arranjando nos conselhos de administração
de empresas estatais. Isso às vezes rende até
o triplo do salário direto.
Hoje, os parlamentares recebem 15 salários anuais,
dois a mais que o trabalhador comum. A maioria das Assembléias
Legislativas estaduais e das Câmaras municipais imita
o Congresso e também paga 15 salários por
ano.
Mas, voltando à questão do salário
dos deputados federais, é oportuna que se faça,
agora, uma análise profunda e equilibrada sobre a
situação. E nos provoca um questionamento:
não seria mais justo o deputado ter definido um salário
que pudesse suprir suas necessidades de transporte, moradia
e habitação, sem necessitar das generosas
verbas complementares?
Claro que sim. Acredito que o foco da discussão não
é, exatamente, o percentual de reajuste, mas, sim,
esses tais benefícios, auxílios, alguns considerados
verdadeiros tapas na cara da população.
Porém o principal é uma reavaliação
geral do conceito de remuneração do deputado.
Um exemplo
disso está na edição de quinta-feira
do jornal A Tarde, quando uma reportagem se refere a dois
deputados estaduais “suplentes tampões”
que vão receber R$ 32 mil por 27 dias de trabalho,
entre salário e auxílios, fora os R$ 50 mil
que dispõem para contratação de assessores.
O que dizer?
Sérgio Alves Lima
Administrador de Empresas CRA-BA11489
Administrador da HappyClin
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