Condomínio dos mortos
A violência está atingindo níveis assustadores em Feira de Santana. Raro é o fim de semana sem registro de assassinatos. Veículos são furtados, casas arrombadas, pessoas agredidas.

Nos últimos dias, os marginais e vândalos passaram dos limites. Nem os cemitérios escaparam. Túmulos são violados, depredados, saqueados. Até mesmo orgias são praticadas nos campos santos, numa total falta de respeito.

Pois bem, a quem cabe frear a onda de violência que se abateu sobre a cidade? No caso dos homicídios e agressões a responsabilidade é da polícia. Mas e no caso dos cemitérios? Logicamente, como são locais fechados e com administração que cobra taxas de manutenção, esta missão é, sim, dos administradores.

No caso específico do cemitério Piedade, onde os ataques são mais constantes, a própria administração da Santa Casa já se pronunciou incompetente para dar solução ao problema. Ora, então cabe às famílias dos sepultados arcar com mais este ônus? Francamente, não é o caso.

Naturalmente, se vivêssemos em uma sociedade que respeitasse suas tradições nada disso estaria acontecendo. Os cemitérios são locais sagrados, até mesmo para civilizações primitivas. O respeito a quem já se foi era mais que um dever. Era um sentimento enraizado nas famílias.

Esperamos, sinceramente, que o desfecho deste caso seja o melhor possível. Que a administração do cemitério Piedade, assim como os outros, chamem para si a responsabilidade de proteger nossos mortos. A contratação de seguranças armados pode até ser a solução, mas não é o mais recomendável. Estaríamos, assim, criando o condomínio dos mortos. Um absurdo!

Sérgio Alves Lima
Administrador de Empresas CRA-BA11489
Administrador da HappyClin

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